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O Dom das Lágrimas

As lágrimas são vertidas em nome da própria miséria

O homem muitas vezes, vive como um autômato, na temporalidade sem presente, donde o porvir não cessa de fazer sombra sobre o passado.

A civilização ocidental converteu-se numa civilização que não chora. É por isto que nos dedicamos, tanto na arte como nas ruas, a gritar cegamente. Como se os jovens quisessem libertar neles o gemido do Espírito e não soubessem como fazê-lo. Pois bem, "quando o homem recebe o dom das lágrimas, é o Espírito quem chora docemente nele", diz Simeão Metafraste, comentando S. Macário, o Grande. As lágrimas espirituais são a água batismal na qual se dissolve a dureza do coração.

Os frutos do homem interior só tem início com o correr das lágrimas.

Quando chegares á morada das lágrimas, fica ciente de que teu espírito saiu da prisão deste mundo e firmou o pé no caminho que leva ao século futuro. Nesse momento, teu espírito começa a respirar da atmosfera maravilhosa que lá existe e começa a derramar lágrimas. Chegou a hora de nascer a criança espiritual, e o trabalho de parto torna-se intenso. A Graça, mãe comum de todos nós, apressa-se a parir misticamente a alma, imagem de Deus, gerando-a para a luz do século futuro. E, quando chega a hora desse nascimento, o intelecto começa a captar algo das coisas de outro mundo – como um vago perfume, ou como o sopro da vida que o recém-nascido recebe em seu corpo. Mas nós não estamos acostumados com uma tal experiência, e com a dificuldade de suportá-la, nosso corpo é tomado de súbito por um correr de lágrimas entremeado de alegria...


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