Artigos

Pais Orfãos

É que as crianças crescem independentes de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados.
Crescem sem pedir licença à vida. Crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada
arrogância. Mas não crescem todos os dias de igual maneira. Crescem de repente.
Um dia sentam-se perto de você no terraço e dizem uma frase com tal maturidade que você sente
que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura. Onde é que andou crescendo aquela danadinha
que você não percebeu? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com
palhaços e o primeiro uniforme do Maternal?
A criança está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora
ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça! Ali estão muitos pais
ao volante, esperando que eles saiam esfuziantes sobre patins e cabelos longos, soltos. Entre
hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão nossos filhos com o uniforme de sua geração:
incômodas mochilas da moda nos ombros. Ali estamos com os cabelos esbranquiçados. Esses são
os filhos que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias, e
da ditadura das horas. E eles crescem meio amestrados, observando e aprendendo com nossos
acertos e erros. Principalmente com os erros que esperamos que não repitam.


Clique em download para ter acesso ao conteúdo integral.

Download PDF