A Argila

Contos

Em aquele entardecer da criação, senti passos no jardim. Era ele, o Senhor da Criação.

Acontece que, nesse entardecer, Ele parou, inclinou-se, com um olhar carregado de amor. E, de repente, juntou-me do chão, a mim, pobre e pequeno punhado de terra e ficou a me olhar pensativo… Remexeu-me longamente… longamente… com todo carinho!

E, então, começou a me amassar: primeiro, retirou de mim uma porção de impurezas que atrapalhavam: pedrinhas, pedacinhos de pau, ciscos, etc. E fui ficando terra pura, do Seu gosto. Fez ainda operações, que eu não compreendia, nem poderia compreender: “Pode por acaso um vaso dizer ao oleiro: eu entendo disso mais do que você?” (Is 29, 16).

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