Perseu e Medusa

Mitologia Greco-Romana

Jaz, fixando o céu noturno, suspira sobre o enevoado cume de um monte; embaixo, há um tremular de terras distantes. O seu horror e a sua beleza são divinos. Sobre seus lábios e suas pálpebras ousa a formosura como uma sombra: irradiam dela, ardentes e embaciadas as agonias da angústia e da morte que, embaixo, se debatem.

Não é tanto o horror, mas a graça a empedrar o espírito do observador, sobre quem se cinzelam os lineamentos daquela face morta, até que os seus caracteres penetram-lhe, e o pensamento se turva; é a melodiosa tinta da beleza, sobreposta às trevas e ao esplendor da punição que torna humana e harmoniosa a impressão. E de sua cabeça, como se fosse de um só corpo, surgem, tal qual ervas de uma rocha úmida, cabelos que são víboras e se contorcem e se estendem, e entrecruzam os seus nós, e em infinitos rodeios mostram o seu esplendor metálico, quase escarnecendo da tortura e da morte interior, e cortam o ar com suas mandíbulas rachadas.

E de uma pedra ao lado, um venenoso sardão se demora a espiar aqueles olhos gorgôneos, enquanto no ar, atônito, um horrendo morcego é adejado fora da furna onde aquela amedrontadora luz surpreendeu-o e se precipita como uma traça à luz; e o céu noturno relampeja de uma luz mais amedrontadora que a escuridão.

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